Século XXI ano de
2005, controle da natalidade difundido em diversas
partes do mundo através de métodos contraceptivos,
fertilização in vitro aplicada amplamente gerando
crianças saudáveis e realizando o sonho de muitas
famílias, terapias diversas visando tanto a concepção
como a contracepção. Dentro desta realidade o que a
Astrologia Medieval nos pode oferecer, através da
interpretação do mapa natal, em relação à previsão da
existência ou não de filhos na vida de um indivíduo?
Os astrólogos
medievais utilizavam diversos elementos para avaliar se
o mapa indicava ou não a existência de filhos e,
através da análise desses elementos, realizavam o
julgamento correspondente. Observamos na literatura
referências gerais a “uma grande quantidade de filhos”,
“muitos filhos”, “pequena quantidade de filhos” e
“nenhum filho”, de forma que este parece ter sido, e
ainda é, o objectivo principal destas interpretações.
Ao aplicarmos estas técnicas medievais devemos ainda
ter em mente as diferenças sócio-culturais actuais.
Sociedades, grupos, culturas, povos, países, ou mesmo
regiões diferentes dentro de um mesmo país com grande
extensão territorial, interpretam termos genéricos como
os acima de formas diferentes. A tendência nos grandes
centros nas últimas décadas tem sido a progressiva
diminuição no número de filhos. O que na época medieval
era considerado um pequeno número de filhos pode ser um
grande número nos dias actuais para determinadas
famílias.
Os
Significadores
Para os antigos
mestres medievais, os filhos são avaliados pela
existência de planetas ou de determinadas Partes Árabes
em locais específicos da Natividade, as casas 1, 11, 10,
7 e 5. Alguns autores adicionam a casa 4 às mencionadas
anteriormente. Todos os planetas participam como
significadores. Júpiter, Vénus e Lua propiciam filhos.
Marte Saturno e Sol dificultam a existência de filhos ou
indicam um pequeno número deles. Mercúrio varia de
acordo com a relação que possui com outros
significadores. Além dos planetas, devem ser analisados
outros pontos como a Parte da Fortuna
(pars fortunae), a Parte dos Filhos (pars
filiorum), seus regentes, o regente da triplicidade
de Júpiter e o regente da casa 5.
Os signos nos quais
encontramos os significadores devem ser interpretados de
acordo com sua classificação em: muito férteis
(Caranguejo, Escorpião e Peixes), moderadamente férteis
(Touro, Balança, Sagitário e Aquário), pouco férteis
(Carneiro e Capricórnio) e estéreis (Gémeos, Leão e
Virgem), já que podem modificar as qualidades
intrínsecas dos significadores. Júpiter, que é
essencialmente um planeta significador de filhos, se
posicionado num signo estéril passa a ser um
impedimento. Saturno, um planeta que dificulta os
filhos, se posicionado num signo muito fértil, em casas
adequadas e bem aspectado pelos seus regentes ou por
outros significadores pode possibilitar filhos.
Significadores
dignificados, principalmente Júpiter e Vénus, em signos
férteis, em casas que indicam a existência de filhos,
bem aspectados por benéficos e livres de impedimentos
propiciam muitos filhos. Significadores em detrimento ou
queda, impedidos ou aflitos por maléficos, diminuem a
quantidade de filhos.
Mapas de Estudo
Estudo nº 1 - Marlon Brando
O número exacto dos
filhos de Marlon Brando ainda é questionado, embora ele
tenha reconhecido oficialmente 11 filhos no seu
testamento. Um deles, filho da sua assistente Caroline
Barret, foi adoptado por Brando, e deverá ser excluído
do número total na nossa avaliação.

| Ascendente em
Sagitário – Signo moderadamente fértil. |
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Parte da Fortuna – Conjunta ao Ascendente, em
Sagitário, sem impedimentos e aflições. |
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Planetas na casa 1 – Júpiter em Sagitário, actuando
tanto como regente do Ascendente como da Parte da Fortuna, dignificado
por domicílio e em sua própria triplicidade, aspectado por um trígono de
Lua e Sol. Esta configuração já indica a existência de muitos filhos. |
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Casa 11 – Ocupada por Saturno em Escorpião, signo
muito fértil, retrógrado, mas livre de outros impedimentos e sem
aspectos. Um planeta que impede filhos localizado em um signo de muita
fertilidade e numa casa apropriada indica a existência de filhos, embora
estes possam ter dificuldades, vida curta ou atribulada. Em 1990, o
filho mais velho de Brando disparou e matou o namorado da sua meia-irmã
Cheyenne, filha do terceiro casamento de Brando. Foi julgado e
considerado culpado de homicídio culposo, tendo sido sentenciado a 10
anos de prisão. Em consequência da tragédia, Cheyenne suicidou-se aos 25
anos de idade após um longo período de depressão. |
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Parte dos Filhos – A 23º 28' de Capricórnio na casa
2, é dispositada por Saturno, este já mencionado acima. A Parte dos
Filhos encontra-se em um signo pouco fértil e sem relação directa com a
quantidade de filhos, já que não está posicionado em casas referentes
aos filhos. |
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Casas 10 e 7 - Desocupadas. |
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Casa 5 - Ocupada por Mercúrio em Carneiro,
signo pouco fértil, em trígono com Júpiter, planeta de muitos filhos,
posicionado em signo moderadamente fértil e seu regente por
triplicidade. Esta configuração reforça a existência de filhos, já que
ambos os planetas são significadores que propiciam filhos, estão em
contacto através de um aspecto benéfico e Júpiter recebe Mercúrio em sua
triplicidade. Sol e Lua em Carneiro, a menos de 5º da cúspide da casa 5,
recebem um trígono de Júpiter e uma quadratura de Marte. A mútua
recepção entre o Marte e a Lua, por domicílio e triplicidade, alivia o
aspecto de quadratura entre eles e novamente o trígono de Júpiter à Lua,
como mencionado acima em relação a Mercúrio, reforça o tema da
existência de filhos. |
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Regente da casa 5 – Marte em Capricórnio, na casa
2. Sem relação directa com a quantidade de filhos, já que não está
posicionado em casas referentes aos filhos. |
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Regente da triplicidade de Júpiter – É o próprio
Júpiter em nascimento nocturno, já delineado. |
Podemos concluir que
o mapa apresenta indicações de muitos filhos. Entretanto, em virtude da
presença de Saturno em uma casa relacionada com filhos, embora não os
impeça por estar em um signo muito fértil, indica dificuldades,
atribulações ou vida curta relacionada com os mesmos.
Estudo nº 2 - Wallis Simpson
- Nenhum filho

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Ascendente
Aquário – Moderadamente fértil. |
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Casas 1, 11, 10
e 7 – Desocupadas. |
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Casa 5 – Sol,
planeta que impede filhos, na cúspide da casa 5, em Gémeos, signo
estéril. |
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Regente da casa
5 – Mercúrio também em Gémeos, signo estéril, na casa 4, retrógrado e
sob os raios do Sol, recebe um sextil de Júpiter, significador de
filhos, em Leão, signo estéril e cadente na casa 6. Neste caso, o
aspecto benéfico do sextil de Júpiter é nulo já que o planeta está
posicionado num signo estéril e numa casa cadente. |
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Parte da Fortuna
– Em Balança na casa 8, conjunta à Lua. O signo moderadamente fértil e a
conjunção com a Lua, planeta significador de filhos, poderia ajudar se
não estivesse localizada na casa 8. |
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Regente da Parte
da Fortuna – Vénus em Gémeos, signo estéril. |
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Parte dos Filhos
– Em
14º
10’
de Escorpião, signo
muito fértil, mas cadente na casa
9,
não relacionada aos filhos. |
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Regente da Parte
dos Filhos –
Marte em
Carneiro,
signo pouco fértil na casa 2, como já
mencionado anteriormente, não está posicionado em casas referentes aos
filhos. |
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Regente da
Triplicidade de Júpiter – O próprio Júpiter já que o mapa é nocturno, em
Leão, signo estéril, cadente na casa 6. |
O único ponto que
poderia favorecer a existência de filhos é o Ascendente
em signo moderadamente fértil. No entanto, todos os
outros significadores apontam para a ausência de filhos,
por estarem em casas cadentes ou
não relacionadas com filhos e
em signos estéreis.
Estudo nº 3 - Meryl Streep - 4 filhos

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Ascendente –
Em Leão, signo estéril. |
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Casa 1 –
Desocupada. |
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Casa 11 –
Marte, Mercúrio e Parte da Fortuna em Gémeos, signo estéril. Esta
configuração de Mercúrio em conjunção a Marte em signo estéril e a Parte da
Fortuna também num signo estéril impede os filhos. |
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Regente da
Parte da Fortuna – Mercúrio em signo estéril, indicado acima. |
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Casa 10 – Lua
em Touro, signo moderadamente fértil, dignificada por exaltação, em mútua
recepção com seu regente, Vénus, posicionada em Caranguejo, signo muito
fértil e recebendo dela o aspecto benéfico de um sextil. Esta configuração
promete a existência de filhos. |
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Casa 7 –
Júpiter a menos de 5º da cúspide, em Aquário, signo moderadamente
fértil, livre de aflições. |
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Casa 5 –
Desocupada. |
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Regente da
casa 5 – Marte na casa 11, em Gémeos signo estéril, impede os filhos como
mencionado acima. |
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Parte dos
Filhos – Localizada em
3º
47’ de
Peixes, signo
muito fértil, contudo
localizada na
casa 8. |
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Regente da
Parte dos filhos –
Júpiter
a menos de 5º
da cúspide, em Aquário, signo moderadamente fértil, livre de aflições. |
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Regente da
Triplicidade de Júpiter – Saturno posicionado na casa 2, uma
casa não referente a filhos, e em Virgem, um signo estéril. |
Este é um excelente
exemplo de significadores com configurações que, por um
lado, propiciam filhos e por outro diminuem o seu
número, ou os impedem.
O Ascendente em
signo estéril, Marte como significador posicionado na
casa 11, e actuando como regente da casa 5, Mercúrio
como significador, e como regente da Parte da Fortuna e
a própria Parte da Fortuna na casa 11, todos em signo
estéril, impediriam a existência de filhos.
Por outro lado
observamos que a Lua encontra-se em signo moderadamente
fértil, essencial e acidentalmente dignificada, sendo o
planeta mais elevado do mapa, recebendo um aspecto
benéfico de Vénus, dispositora da Lua, apoiada por uma
mútua recepção com o seu regente,
Vénus, num
signo muito fértil. Uma forte indicação da existência de
filhos. Júpiter angular, em signo moderadamente fértil,
também favorece a existência de filhos. Os outros
significadores são neutros em relação ao assunto.
Conclusão
Embora muitos
séculos nos separem da vida e dos costumes da época
medieval, as obras dos antigos mestres oferecem um
material rico e abrangente para este género específico
de interpretações. Ao contrário do que possa parecer, a
adição de significadores aos tradicionalmente usados nos
dias actuais, como casa 5 e seu regente, em lugar de
dificultar a análise, amplia e refina a interpretação. A
cautela mostrada pelos astrólogos medievais, que
utilizavam termos genéricos nos seus julgamentos, deve
também nortear nossos passos. As profundas modificações
nas áreas da concepção e da contracepção nos dias
actuais fazem com que seja prudente não quantificarmos
os filhos muito rigidamente. Da mesma forma, ao nos
depararmos com mapas, como o de Wallis Simpson, de
indivíduos jovens em idade fértil e manifestando desejo
de gerar filhos, será mais conveniente efectuarmos uma
interpretação de “muito poucos” ao invés de ceifar suas
esperanças com o julgamento de “nenhum filho”. É a
aplicação prática dos ensinamentos de Lilly que nos
orienta a associar “Art with discretion”.
Bibliografia:
 |
Abraham Ben Ezra, Libro de los Juicios de las Estrellas,
Editorial Biblioteca de Sirventa |
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Abu’Ali Al-Khayyat, The Judgments of Nativities, AFA |
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 |
Ali Ben Ragel, El Libro Conplido en
los Iudicios de las Estrellas, Ediciones Índigo |
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 |
Dorotheus of Sidon, Carmen Astrologicum, Ascella |
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 |
Johannes Schoener, On the Judgments
of Nativities, Book I, ARHAT |
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 |
Omar of Tiberias, Three Books on Nativities, Project
Hindsigh |
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 |
Paulus Alexandrinus and Olympiodorus, ARHAT |
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 |
Ptolemy, Tetrabiblos, Harvard University Press |
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 |
William Lilly, Christian Astrology,
Regulus |
A mulher pela qual Eduardo VIII de Inglaterra abdicou
do trono. Fonte: Astrodatabank, rated AA.
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